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Efeitos da gestão do solo na produtividade e sustentabilidade do sistema vitivinícola duriense (GreenVitis)

O sistema convencional de controlo da vegetação espontânea na vinha, (infestantes), utiliza maioritariamente a prática de mobilizações na entrelinha, ou aplicação de herbicidas (em regressão), com os inconvenientes reconhecidos: (a) perda de matéria orgânica do solo (MOS) por incremento da sua mineralização e oxidação de C, com emissões de CO2; (b) perda de biodiversidade associada à perda de MOS; (c) aumento dos riscos de erosão com perda de solo e de nutrientes; (d) degradação da qualidade das águas de escorrência; (e) degradação da estrutura do solo. A manutenção da cobertura verde do solo na entrelinha, com espécies espontâneas ou semeadas (relvamento), prática já em utilização em substituição da anterior, apresenta as vantagens associadas aos designados sistemas mistos e integra-se nas práticas da Agricultura de Conservação, seguindo as novas tendências da PAC, de que se destacam: (a) diversificação da produção; (b) produção de bens e serviços não comercializáveis mas de elevado valor ambiental - conservação do solo, com diminuição das perdas de constituintes e de nutrientes por erosão, melhoria da qualidade da água e do ar, aumento e conservação da MOS e do sequestro de carbono, aumento da biodiversidade e criação de condições para um melhor controlo biológico de pragas e doenças e melhoria da estética da paisagem; (c) possibilidade de comercialização de carbono e incremento da rentabilidade e sustentabilidade do sistema. Esses benefícios são particularmente importantes num cenário de alterações climáticas, com extremos de secas, precipitações torrenciais, temperaturas elevadas ou baixas, pois permitem uma melhor adaptação/gestão dos sistemas às novas realidades e, por outro lado, constituem uma importante medida de mitigação das alterações climáticas, já que reduzem as emissões para a atmosfera de gases com efeito de estufa (GEE) e respetivos percursores. No entanto, tem-se observado uma desvalorização dos mesmos, o que se atribui à falta de resultados que os quantifiquem, de que a quantificação do sequestro de Carbono é um exemplo, aconselhando a aplicação de metodologias conhecidas e transferência dos resultados para os utilizadores e decisores. Atendendo a que a a área de vinha no país ronda os 180.000 ha (Estatísticas Agrícolas 2010), uma gestão criteriosa deste sistema poderá ter um efeito significativo na redução de emissões de CO2, no aumento de armazenamento de C e nos restantes benefícios ambientais já mencionados. Assim, propõe-se instalar três sistemas de cultivo (convencional, cobertura com flora espontânea e cobertura com uma mistura semeada), numa vinha em patamares na Quinta do Vallado, propriedade do promotor e quantificar as implicações das três práticas no funcionamento e produtividade do sistema e na qualidade ambiental, numa abordagem holística, destacando-se os seguintes objetivos e tarefas associadas: 1. Monitorização das variáveis microclimáticas associadas às três práticas de gestão do solo e seu impacto no comportamento do sistema 2. Relações hídricas solo-vinha e comportamento fisiológico da videira 3. Caraterização Vitícola e Enológica 4. Eficácia no uso e reciclagem de nutrientes e consequências no desenvolvimento da videira, em particular o ciclo de N 5. Perdas de solo e de nutrientes por erosão e implicações na qualidade das águas de escorrência 6. Avaliação de saldos e pegadas de carbono nos três tratamentos: impactes económicos e contextualização no âmbito das alterações climáticas 7. Avaliação dos efeitos na sanidade da vinha 8. Rentabilidade e sustentabilidade da vinha através da análise económica dos 3 sistemas de cultivo O projeto tem como empresa promotora a Quinta do Vallado e como parceiros a ADVID e a Escola Agrária de Bragança. Na UTAD participam sete equipas para estudo e medições relacionadas com os objetivos propostos.